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 Digressão sobre a arte brasileira para contribuir As sagas de Earoon

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royleeleroy3000
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MensagemAssunto: Digressão sobre a arte brasileira para contribuir As sagas de Earoon   Sab Ago 31, 2013 8:46 am

A arte brasileira dos anos 50 tinha um problema pela frente: o nacional era entendido como coisa da elite. Como as nossas coisas poderiam ser poderiam ser nacionais e populares? Aqui é preciso fazer uma digressão sobre a arte como conhecimento da realidade. Na Grécia os poetas e filósofos tinham noção do todo como unidade de contrários (diz o provérbio popular:"os opostos se atraem"). O movimento como expressão do todo perdeu-se com o fim da democracia grega e o aparecimento de impérios mundiais. Aprofundou-se na Idade Média como metafísica (como visão oposta à dialética) pois o trabalho era dos servos da terra com caráter local (o feudalismo conheceu talvez o maior êxito em subordinar filosofia à teologia : a filosofia tomista). A crise dos universais ("Pode existir uma casa real fora das casas visíveis?) exprimiu-se com a reação nominalista (o universal é só um nome, um conceito).
Ariano Suassuna exprimiu essa tendÊncia da arte nacional e popular com o auto da Compadecida. (Eram claramente visíveis as oposições entre a forma alegórica(universal) do teatro medieval(na filosofia medieval o mundo era uma perfeita hierarquia: Deus infinito, principes perfeitos, a igreja e o povo miúdo corrompido) e a inversão nominalista feita pelo autor (O herói joão Grilo era o gênio nacional-popular)). Para atestar a grandiosidade e limites desse processo é preciso lembrar o cienasta Mazzaroppi. Jeca TAtu era um símbolo, um representante do povo. Era uma denuncia a opressão ao homem do povo (Geralmente existia a expressão: "Todo mundo pra delegacia". E quem acabava preso era o Jeca).
No teatro de Guarnieri o homem do povo ( o indivíduo ou singular em linguagem lógica) aparece em Eles não usam Black-tie. É a história de uma greve de operários e como ela repercute na família do trabalhador.
Boal nos anos 60 pensou numa nova forma de narrativa que superava o impasse entre universal ( a arte univeralista, alegórica) e singular (simbólica, representativa) ao criar o sistema Coringa de narração. Ele aboliu a propriedade dos papeis para representar os fenomenos essenciais que reproduziam aquela realidade. Em suma, só com a mediação do trabalho como elemento transformador da sociedade e da natureza foi aberto a trilha de uma geração afortunada.
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MensagemAssunto: Re: Digressão sobre a arte brasileira para contribuir As sagas de Earoon   Sab Ago 31, 2013 8:25 pm

royleeleroy3000 escreveu:
A arte brasileira dos anos 50 tinha um problema pela frente: o nacional era entendido como coisa da elite. Como as nossas coisas poderiam ser poderiam ser nacionais e populares? Aqui é preciso fazer uma digressão sobre a arte como conhecimento da realidade. Na Grécia os poetas e filósofos tinham noção do todo como unidade de contrários (diz o provérbio popular:"os opostos se atraem"). O movimento como expressão do todo perdeu-se com o fim da democracia grega e o aparecimento de impérios mundiais. Aprofundou-se na Idade Média como metafísica (como visão oposta à dialética) pois o trabalho era dos servos da terra com caráter local (o feudalismo conheceu talvez o maior êxito em subordinar filosofia à teologia : a filosofia tomista). A crise dos universais ("Pode existir uma casa real fora das casas visíveis?) exprimiu-se com a reação nominalista (o universal é só um nome, um conceito).
Ariano Suassuna exprimiu essa tendÊncia da arte nacional e popular com o auto da Compadecida. (Eram claramente visíveis as oposições entre a forma alegórica(universal) do teatro medieval(na filosofia medieval o mundo era uma perfeita hierarquia: Deus infinito, principes perfeitos, a igreja e o povo miúdo corrompido) e a inversão nominalista feita pelo autor (O herói joão Grilo era o gênio nacional-popular)). Para atestar a grandiosidade e limites desse processo é preciso lembrar o cienasta Mazzaroppi. Jeca TAtu era um símbolo, um representante do povo. Era uma denuncia a opressão ao homem do povo (Geralmente existia a expressão: "Todo mundo pra delegacia". E quem acabava preso era o Jeca).
No teatro de Guarnieri o homem do povo ( o indivíduo ou singular em linguagem lógica) aparece em Eles não usam Black-tie. É a história de uma greve de operários e como ela repercute na família do trabalhador.
Boal nos anos 60 pensou numa nova forma de narrativa que superava o impasse entre universal ( a arte univeralista, alegórica) e singular (simbólica, representativa) ao criar o sistema Coringa de narração. Ele aboliu a propriedade dos papeis para representar os fenomenos essenciais que reproduziam aquela realidade. Em suma, só com a mediação do trabalho como elemento transformador da sociedade e da natureza foi aberto a trilha de uma geração afortunada.
Muito bom isso. Além disso, podemos pegar algo relacionado com algumas obras de Graciliano Ramos como, por exemplo, Alexandre e outros heróis.

Este livro é surrealista. É muito bom para um RPG.
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